Tuesday, November 10, 2009

talvez seja a hora de gozar com coisas novas.
abc paulista.

Friday, October 02, 2009

“Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz”

Foi quando nasci? Quantas vezes desci. “Eu não sabia explicar nós dois.” Faço miséria de mim com o que decido. Pobre de ti. Pobre de mim. O corpo todo no copo. Preparo o troco da troca. Tropeço. Cato no chão as moedas de um outro. Eu quero chamego. Tudo bem moço, só dói quando respiro. Foi assim que aprendi a ficar sozinho. Deixado sozinho. Então vieram as vozes. Minhas vozes. Elas não me dizem o que fazer, somente as opções. Enlouqueço com tantos caminhos. Essas vozes que não me deixam só. Entende moço? É daí que vem todas as coisas. Que coisas? As coisas que são todas. Sim, continuo ouvindo a mesma coisa de sempre. Quando acho algo novo descubro que antes era melhor. Não moço. Não sei quem sou. Estou sendo feito. Apena pena conheci meu pai, mãe, irmãos. Mais vozes. Agora não dói. Só dói quando respiro! Lá é bom. Mas tudo é distante de mim e não venha com essa história sobre meus tudo. Tudo é tudo bolas. E os caminhos são todos. Escolher é complicado feito ponto de risoto e se o arroz entra duro sai duro. Não moço, faço questão de pagar. Olha aquela menina! Olha aquela menina! Ei menina! Eu te amo porque não tive tempo o suficiente pra me arrepender! Se me arrependo moço? “Hoje lem-bran-do-me dela, me vendo nos olhos dela, sei que o que tinha de ser se deu!” É puro egoísmo. Se cheirado é overdose na certa. É puro feito a mãe de Jesus. Não moço eu sei mas também me contam. Ouço. Claro. Falo mais que isso. Interpreto a interpretação de quem ouço. Sim é coisa dele. Ele as vezes ressurge como o cristo, mas ele vem do fundo né? Ele fala comigo também, mas não acredito. Fica difícil entender quando se não entende. Minha cabeça está em outra freqüência. As vozes me ajudam muito. Já disse que não acredito. Uma vez eu morei num lugar. Muitas vezes muitos lugares. Tem curvas demais acabo ficando enjoado. Prefiro ficar aqui mesmo. O peixe daqui é realmente ótimo! Não foi com você me desculpe. É que se ouço é! Não se pode ignorar o ser. Foi minha mãe que me deu. Ai! Queimei a língua. Vamos sair desse lugar, preciso dar uma caminhada. Estava ficando sufocado. Agora dói.

“Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz”
Todas as aspas são do Chico.

Friday, August 21, 2009

as vezes só quero explodir!

Saturday, December 27, 2008

Tela. Cursor. Teclado. Editor de texto. Não uso papel, caneta ou lápis. Pena. Eu não uso. Não tenho musa. Não tenho idéias. Tenho somente vontade. Vontade de poder? Vontade de ser lido? Vontade de ser re-conhecido? Vontade de passar do real para o su-real das palavras. Ser texto. Ser palavra. Ser verbo. Adjetivo. Subjetivo. Mal-agradecido aos gestos. Sentidos. Se quiser posso inserir cores com poucos comandos. Quero o preto no branco. Godard. Lento. As coisas não mais acontecem para virar textos. Os textos devem ser somente textos. Aos fatos a realidade. Hoje o caos é tradição que perde seu divino poder criador. Tradição que nem mais é re-conhecida. Deus onde estão nossos autores? Onde estão nossas idéias? O Deus não mais está morto. Foi ressuscitado com seu poder de justificação. Agora sem critério. Usado por todos. Tradicionalmente. Agora seu reino é caos. O Deus do Caos. O português muda quando nem mais é usado. Falamos e escrevemos a língua das repetições. Repetimos. Repetimos. As palavras não pertencem mais a língua. Pertence ao povo. O povo não quer a língua e não escreve porque ensinaram que somente os donos da língua escrevem. O povo deve ter vontade. Vontade de escrever. Deve usar o que tem. Cavernas. Areia. Papel. Computador. Onde está aquilo que ainda não foi escrito? Comprei Machado para minha mulher. Minha mulher tem toda a língua em quatro volumes. Onde está o texto que o texto escreve. Palavras. O surto social. Deus ressuscitou porque ninguém escreve. Somente fatos. Caos. É necessário olhar de fora. Todos os seres devem se trancar para ver. Não o que pode ser visto e enganado. Ver o que não está escrito. Matar o justificador. Seja ele deus. Seja ele lexotan. Se meu pai tivesse usado camisinha o mundo não sentiria minha falta. E isso serve pro Obama também. Porque nada significa. Somos somente cópia. Tolo aquele que acha que é porque a mamãe o ama. Pois ela te ama porque não sabe de nada. “Dizem que o seu coração. Voa mais que avião. Dizem que o seu amor. Só tem gosto de fel. Vai trair o marido em plena lua de mel”

Wednesday, December 24, 2008

No primeiro dia disse que me amava e vivemos até a separação. Daí disse me amava mais do que tudo. Me deixou e continuou me amando. Como se deixa o aquilo que ama. Me deixou. Veio o vento. Veio a chuva. A chuva me deu força e ainda fraco de ti. Me perdi em labirintos de mim. Não sei mais que sou. Perdi. Veio a chuva. Levou embora. Tocou-me de amor. Marcou a lenha. Hoje quero todos os sofrimentos que não tive ao seu lado. Dores que foram prometidas no primeiro dia. Quando me amou. Te procuro em deusas. Ventos. Temporais. Agora passa e desculpas são para fracos. Não quero evolução. Imagino explicações. A vida é menos do que isso. E continuo seguindo dia-a-dia. O verdadeiro imperfeito se aproxima sempre mais. Quando menos cuspo, mais difícil fica, mais confuso fica, quase nada fica.
Quero fazer como você que me deixou. Saber o que se passa no coração de quem ama mais não para. Amar é nunca mais sair do lugar. É somente seguir como um doente que não vive sem a droga. Perseguir aquilo que hora é peso, hora cocaína. A madrugada me castiga com a saudade. Mas saudade do que deveria ter sido. Pois somente disso sentimos saudade. Pois é somente mais um natal, e por mais que não sinta o natal, sinto a solidão de não senti-lo.
Que seja o nascimento do Cristo comemorado com seu sangue! Pois este tem poder e embriaga.

ps.: Que Deus me perdoe se cometi alguma blasfêmia, pois se a fiz, foi meramente literária.

Do teu amor tenho a dúvida
Quanto gozei
Pouco
Nada
Do teu amor tenho a dúvida

A certeza de convenções
Nada
Pouco
Quanto gozei
A certeza de convenções

Da lembrança do que não vivi
Pouco
Quanto gozei
Nada
Da lembrança do que não vivi

Da lembrança do que não vivi
A certeza das convenções
Do teu amor tenho a dúvida

Sunday, December 16, 2007

As folhas do sagrado me encontram e comigo se tornam um. Pouco a pouco deixo de somente admirar, sou. Conheço. Meus pontos voltam recuperando o lugar deixado as lentas vírgulas. No peito novamente o ódio que me dá movimento. Tudo o que não presta eu simplesmente tiro e fumo. Deixo somente a pureza que não deve ser tocada. Meu pulmão se enche de ar e o coração volta a bater. Então façamos assim, vamos por partes. Primeiro o teto, depois as colunas, e então o piso. Destruiremos tudo, e depois re-contruiremos. Falaremos novas línguas. Nos expressaremos com novos gestos. Comeremos novos temperos. Renderemos graças a novos deuses. Sim. Um futuro espera. Mas antes dele a destruição. As doenças. Dor!
Precisamos ceifar o joio. Moldar os pés, pernas, sexo, cintura... encontrar o material perfeito, a medida adequada. A palavra é reprodução, meu chavão é dar a luz, mas e agora? Minhas lágrimas cortam o meu rosto e minhas palavras tem a maturidade de uma criança. Minhas vontades se disfarçam de acaso, e minha responsabilidade se torna divina. Me faço vítima de minhas decisões. Me descubro e reconheço as fraquezas que disfarçava de destino.
Preciso de tempestades familiares as da minha cidade. Preciso do calor de um útero. Calor que já tive, mas não me lembro. Não acompanho ficções, invento realidades. Onde está a mão que balançava o berço, a voz que ninava, a mão que acariciava, o peito que alimentava. O cordão que nunca foi tocado e sim esticado causando dor e sofrimento. Arrebenta! Arrebenta! Arrebentes!
Descrevo o reflexo turvo que vejo na poça de lágrimas barrentas. Novamente ouço as vozes que me atormentam. Sinto o medo que não reconheço. Deixo surgir o pranto que não é meu. Completo o meu desejo criado pelas minhas satisfações. Quando não me entendem não será pela escolhas de palavras esquecidas, mas por pensamentos ainda não pensados. Pois o poeta não morreu. Nem o pastor, nem o profeta, e muito menos Deus!

Wednesday, October 03, 2007

Procuro a simplicidade do louco. É hora de ir ao encontro da beleza da charmosa da insanidade. Para isso troco o café por uma água, acendo meus cigarros em vela, deixo o samba e ouço um jazz. Vasculho toda a dor de mim ainda não retirada. Acho você, me olhando de cima. Sorrindo da minha beleza sem razão. A beleza que não existe no sano! Você está ali, calada, apreciando cada movimento imprevisível produzido pelo meu corpo. Atenta a cada palavra transbordada do discurso sem fio e sem meada semeada a porcos. As pessoas não me olham mais, muito menos ouvem o que digo. Se contentam com as migalhas.
Estou com medo de ser somente angústia. E de quando ela for não ser mais nada. Descubro a essência do insano e faço nascer odor parecido. Quero quartos de paredes acolchoadas. Quero vida fora do tom. Pronto, a cabeça começa a doer. Quase alcanço o ponto. Nem ralo nem grosso. Grosseiro. É preciso mexer para não deixar empelotar. Sentada da pia você me observa, quase cultuando o que assusta outros. É o domador de leões, dentro da jaula com a besta fera, calmo e feliz, enquanto todos os espectadores, seguros do outro lado das grades admiram a ágil coragem do homem com chicote. Mas você usa somente o corpo. Vozes amigas me tiram do transe. Ópio que alucina e tira a dor. Você permanece calada, se comunicando apenas por cheiros, olhares, sons sem sentido. Como um cão farejo teu medo.
Mas o louco sou eu! Outro cigarro. Mais água. Menos realidade. Como um louco acredito em deus. Como um louco flerto com o inferno. E você sentada em nuvens me olha de um céu convencional. Eu vivo de reflexos que brotam de lentes distorcidas. Eu cuspo em toda essa normalidade. Crio a minha formalidade, e ultrapasso a violência revoltosa do charmoso curinga!
Ele lentamente abre os olhos e se da conta que estava sonhando. Levanta ainda nu. Ah, como ele gosta de dormir assim! Lembra dela no sonho, não sabe se prefere lembrar do sonho ou do tempo que passou. Caminha para o banheiro. A água é gelada como só poderia ser. Escova os dentes ali mesmo. Pensando se faz seu café ou se toma na padaria. Não! A última coisa que iria querer agora era o papo de uma balconista desejando um improvável bom dia. Toma seu café apressado, veste seu terno desbotado, pega sua pasta de couro lavado, entra no elevador e sente sua vida descer o poço.
Está cansado de sonhar com ela. A cabeça começa a doer, anunciando o início de um novo dia. Acende um cigarro e pensa naquele vestido, frente única, deixando aquela costa nua. Conseguem ver isso? Ele está completamente perturbado por uma mulher. E alguns chamam isso de amor, outros paixão. Religiosos gostam de banalizar a paixão, exaltando assim o amor. Mas ele sabe a verdade. Entende o que realmente está acontecendo com a sua mente. Está ficando louco. Lembra do sonho. Não entende porque, mas sente vontade de correr. E foi o que aconteceu, ele correu! Uma mão segurando a pasta. Marrom. Na outra o cigarro, quase queimando os dedos. Mas nada ardia. Uma paz foi tomando o seu corpo. Sim, era a falta de ar. Sentou no ponto de ônibus e começou a pensar no que deveria fazer no dia. Ele como todos nós, ou todos os outros, também tinha seus deveres. Esses deveres que a sociedade nos impõe em troca de comida, roupas e algum lazer.
Não é possível fingir que não está acontecendo. Ele está ficando louco. Não pode simplesmente entrar em um ônibus e descer na frente de sua repartição, onde na entrada tem uma barraquinha de cachorro quente, onde ele come ao meio dia se enganando na fé de que aquilo pode ser considerado um almoço. Ele não pode mais viver essas mentiras, não da pra fingir que existe ainda alguma razão ou lógica na sua mente. Daqui a pouco começará a pensar sem a língua. Pensará somente sons, urros. Isso vai acontecer, não tem como escapar. E tudo culpa dela.
Semana passada ele procurou um médico. Contou toda a história:
- Doutor, estou com um problema!
- Qual seu problema filho?
- Estou sendo perturbado por uma mulher.
- Perturbado como?
- Perturbado, vou acabar ficando louco.
- Filho, ela está te perseguindo? São ameaças? Isso você tem de ver na policia, não comigo, sou um clínico.
- Não doutor. Estou apaixonado. Amando. Sei lá como se explica isso, para mim estou perturbado. Sonho com isso todo dia. Estou ficando louco. Não sei mais o que fazer!
- Filho, não posso fazer nada por você.
- Obrigado pai, em nome de Jesus, seu filho amado. Amém.
Quando passa em frente a repartição onde trabalha olha o parapeito do prédio, e ela está lá, sentada, com aquelas lindas pernas sensualmente cruzadas. Calada, simplesmente o olhando de cima. Preciso ser interrompido agora, ou só vou escrever... fui, por força do meu desejo fui interrompido. Incrível, fui pego no flagra. Me senti completamente pego em delito grave. Que cara de pau a minha, escrever essas coisas e achar que vou sair ileso. Jogaria no lixo, com um simples delete, mas minha analista falou que... chega com o que ela fala ou deixa de falar. É coisa minha, e preciso aprender a viver sozinho. Preciso de... sei lá do que preciso. Mas ele entra fingindo não ter notado o olhar do parapeito. Mas todos notaram aquele volume em suas calças. Uma linda mulher lhe dirigiu um sorriso safado. Preferiu a escada ao elevador. Quem disse que tinha uma vida sem oportunidades.
Na repartição a música era francesa. Cantada arrastada. Outra interrupção. Por que nada me vem de madrugada! Falta a poesia branca pousada em minha cama.