Saturday, November 25, 2006

Que menina! Ela começa com uma cara meio fechada e um "Olha!", pronto, o coração da uma parada ansiosa e todos os próximos segundos de espera pela frase anunciada são angustiantes.

Pode ser uma simples conclusão, afirmação, explicação, repreensão, ou simplesmente aquilo que você queria ouvir. Mais um pouco de conversa e uma espreguiçada, aquela, sem pudor, a barriga aparecendo, o umbigo se mostrando, Ali! o momento onde todas as forças são direcionadas para a função de podar desejos e fazer agir naturalmente. Vamos, lá, é possível.

Tenta-se falar, tenta-se agradar, mas o desejo é ouvir, besteiras, idéias, histórias, tudo para ver aqueles lábios se moverem, todo aquele corpo falando por gestos fortes, a volta sutis, toda a sensualidade liberta de vulgaridade e pudor. Aquele feminino sem resquícios de opressão masculina, social, cultural.

Na bíblia a fé vem pelo ouvir, ironicamente o desejo e o gozo usam a mesma via.

"Outra beleza, outra beleza você tem
Que põe cama e mesa
E mais beleza no mundo também."

Aqui o vento é forte, deve ser ele que traz a gente de todo país. Para chegar é necessário subir uma reta sem fim, até a pele começar a secar, o ar ficar difícil e for possível ver toda cidade da sua borda, sim, aqui a cidade parece ter bordas. É como uma plataforma no meio do nada. Uma cidade de repetições, onde ruas, avenidas, construções, todas se parecem, uma foi criada, as outras copiadas, uma, duas, três, quatro, cinco, quantas vezes foram necessárias até tomar tamanho de cidade.

Paraíso da arquitetura, aqui, ao que parece, todas as formas foram usadas. Cada centímetro pensado cuidadosamente, cada parede erguida a preços exorbitantes. Uma soma entre mentes bem sucedidas e suor de candango sonhador.

Um verde nascido em terra vermelha, terra que o vento leva e da o tom avermelhado ao asfalto quase sempre bem reparado, e lá vão os carros importados, turistas, gringos, políticos, e populares com seus candangos.

A repetição da urbe não coincide com a diversidade do povo. Se o brasileiro é uma mistura de gente de todo mundo, o brasiliense é uma mistura de gente de todo Brasil, todos candangos.

Uma cidade que chama a casa do pobre de satélite, uma terra de céu limpo, que segue em frente com forma de avião, com suas asas, o plano piloto e seus tripulantes. Primeira classe, segunda classe, e as satélites.

Saturday, November 11, 2006

Cidade Livre, a Lapa Brasiliense, terra de putas, jogatinas e cabarés. Reduto de artistas de guetos, poetas mortos, diversão suja de ricos. Cidade Livre, fosso de diversão do Distrito Federal. Antro de pecado e graça.

Putas gordas caminhando pela rua, oferecendo a preços módicos a única coisa que lhes foi dada de presente. Jogadores febris por um carteado, ávidos pela diversão de curingas e pelo dinheiro rápido, prontos a apostarem o pouco que tem e o muito que nunca viram. Tudo isso em três avenidas lotadas de cabarés prontos para abrigar toda sorte de gente, com sorte e sem ela.

Todos ali, prontos para se divertirem com aquilo que o dinheiro pode pagar para a mais habilidosa puta de todas, a Cidade Livre.

Com requintes de mulher insaciável ela trava seus amantes entre suas avenidas, oferecendo o gozo de sua vias, assim, puta, vadia, Geni, ela domina e faz voltar todas as noites, todos os pobres, todos os ricos, todos os seus filhos. Filhos a quem chama pelo nome, filhos que amamenta e faz gozar.

Sobre essa babel ergueram a capital do nosso país, reflexo e essência de um povo que sabe viver, mas esconde seus segredos em suas Cidades Livres.


Inferno cristão e paraíso candango.

Wednesday, November 01, 2006

Tudo Novo de Novo
Paulinho Moska
Composição: Moska

Vamos começar / Colocando um ponto final / Pelo menos já é um sinal / De que tudo na vida tem fim.

Vamos acordar / Hoje tem um sol diferente no céu / Gargalhando no seu carrossel /Gritando nada é tão triste assim.

É tudo novo de novo /Vamos nos jogar onde já caímos /Tudo novo de novo / Vamos mergulhar do alto onde subimos.

Vamos celebrar / Nossa própria maneira de ser /Essa luz que acabou de nascer /Quando aquela de trás apagou.

E vamos terminar / Inventando uma nova canção / Nem que seja uma outra versão / Pra tentar entender que acabou.

Mas é tudo novo de novo / Vamos nos jogar onde já caímos / Tudo novo de novo / Vamos mergulhar do alto onde subimos