Saturday, November 25, 2006

Aqui o vento é forte, deve ser ele que traz a gente de todo país. Para chegar é necessário subir uma reta sem fim, até a pele começar a secar, o ar ficar difícil e for possível ver toda cidade da sua borda, sim, aqui a cidade parece ter bordas. É como uma plataforma no meio do nada. Uma cidade de repetições, onde ruas, avenidas, construções, todas se parecem, uma foi criada, as outras copiadas, uma, duas, três, quatro, cinco, quantas vezes foram necessárias até tomar tamanho de cidade.

Paraíso da arquitetura, aqui, ao que parece, todas as formas foram usadas. Cada centímetro pensado cuidadosamente, cada parede erguida a preços exorbitantes. Uma soma entre mentes bem sucedidas e suor de candango sonhador.

Um verde nascido em terra vermelha, terra que o vento leva e da o tom avermelhado ao asfalto quase sempre bem reparado, e lá vão os carros importados, turistas, gringos, políticos, e populares com seus candangos.

A repetição da urbe não coincide com a diversidade do povo. Se o brasileiro é uma mistura de gente de todo mundo, o brasiliense é uma mistura de gente de todo Brasil, todos candangos.

Uma cidade que chama a casa do pobre de satélite, uma terra de céu limpo, que segue em frente com forma de avião, com suas asas, o plano piloto e seus tripulantes. Primeira classe, segunda classe, e as satélites.

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