Tuesday, December 12, 2006

I

Lucas cresceu na terra que tem mar, onde o vento vem com cheiro do mar as pessoas tem cheiro de mar todos vivem indo e vindo do mar. Lucas aprendeu a viver com o mar. Conhecia meninas como se conhece meninas na beira do mar, leu os livros que lêem na beira do mar e cantarolava as músicas que se cantarola nas terras que tem mar.

Todos gostavam de Lucas naquele lugar muitos confundiam o próprio lugar com o Lucas, todos amavam aquele lugar amargamente, as pessoas que iam para longe do mar sentiam falta de Lucas e do mar, Lucas quando saía de lá ficava muito triste e todos o conheciam como o-garoto-das-terras-que-tem-mar.

Lucas tinha muitas histórias de mar gostava muito de vento e sempre encontrava ele perto do mar, o vento levava e trazia coisas, ele sentia amor por esse movimento, ficava sonhando que o vento levava e trazia tudo. Pensava que Deus usava o vento para fazer as coisas se moverem pelo mundo, o vento levava os anos e trazia memórias, o vento também era comerciante, porque as vezes só trazia coisas novas se levasse alguma coisa, alguns amigos de Lucas achavam que o vento sempre tentava levar a melhor, mas para Lucas o vento era muito honesto.

Foi em uma dessas noites na beira do mar que o vento movimentava a areia bem lentamente, movimentava coisas em toda a parte. E como todos os outros movimentos na vida de Lucas ele trouxe Maria. Maria foi trazida em uma velocidade muito grande, pois o vento era muito forte, Lucas não acreditou, mas era muito legal. Naquela mesma noite o vento trouxe assuntos promessas e muito desejo. O vento sempre foi agiu assim com Lucas, cheio de surpresas.

Lucas não conhecia muito o tal do rio, mas falaram pra ele que existem rios cheios de velocidade e ele ficava com inveja do rio porque queria a velocidade dele. Maria chegou em um vento forte, mas era movida por brisa suave. “Lucas, já me escondi demais do vento, quando não consigo choro muito, não gosto de ficar aqui perto do mar por que o vento é forte demais.” Lucas achou estranho porque ele sempre gostou da velocidade e surpresas do vento. “Maria, você é boba, o vento é honesto quando ele leva é bom e quando ele traz é bom”.

Maria gostava de ouvir Lucas, mas chorou demais quando chegou em casa. Ela dormia em um quarto cheio de coisas que o vento trouxe e ela escondeu dele. Chorou também quando achou Lucas parecido com o vento e com o mar, ficou com medo de Lucas levar coisas dela. Lucas ficou muito feliz naquela noite, mas não entendia como Maria podia gostar de pouca velocidade, e porque não confiava no vento. Lucas não chorou ficou desejando Maria, imaginando com seria subir em cima dela e dar uma trepada assim ele se masturbou durante horas ouvindo muita música e as vezes gemendo alto. Abriu a janela para ver se o vento queria levar alguma coisa ele estava satisfeito e como o vento trouxe Maria ele podia levar o que quisesse. Mas o vento ali se chamava brisa, levou somente um pouco de música e suor de Lucas.

O-garoto-das-terras-que-tem-mar mergulhou fundo e saiu todo molhado levando areia nos pés, sua mãe era um anjo e sempre reclamava da areia que ele roubava da beira do mar, mas para Lucas elas vinham por que gostavam mais dele do que do mar, ou simplesmente por que não achavam ele diferente do mar, ou ainda por que se achava como o vento, no direito de levar embora. O desejo ainda era forte então Lucas foi se masturbar ainda com o sal no corpo, ficava imaginando Maria, e suas idéias se confundiam.

Lucas sempre gostou de aprender idéias, pessoas contavam idéias para ele todo dia, e ele aprendia, mas só repetia as que foram pouco repetidas. Essas ele valorizava mais pois achava que repetir desgasta e se repetem pouco quer dizer que não foram desgastadas. Pensava assim a respeito das idéias e de muito mais coisas. Ele adorava desgastar as idéias pouco repetidas, repetia sempre para pessoas especiais, suas idéias sobre o vento é uma dessas, ele não se lembra quem repetiu pra ele, mas ele só repete para pessoas especiais. Maria já chegou especial.

“Mãe, ontem o vento me trouxe a Maria, ela é especial e fiquei cheio de desejo”, “Cuidado com esse vento meu filho, eu já chorei muito por culpa dele”. Lucas ficou pensando muito sobre aquilo, e viu Maria muito igual a sua mãe, se perguntou por que ficava com o sexo duro quando via Maria, mas não quando vê a mãe. A mãe de Lucas é linda, tem cabelos lisos e cor de índia. Ela ama o vento, mas sempre tenta entender porque ele leva e porque ele traz, tenta ser juiz do vento e chora muito por causa disso. Ela já teve vários maridos e pediu pro vento levar a maioria deles, ela diz que o vento que trouxe Lucas foi vento de furacão, ele trouxe Lucas e levou tudo o que ela tinha.

O pai sempre ia com o vento, poucas coisas permanecem na vida daquele artista por muito tempo, somente os filhos. A mãe era mãe somente de um, mas o pai tinha muito mais, tinha filhos espalhados pelo vento por todas as terras que andou. Ele espalhava sua semente trepando sempre que podia, trepando muito.

Agora o vento traz sempre coisas muito confusas, Lucas quer sair de perto do mar, quer ver como são as coisas nas montanhas, ele viu um livro de fotos e quer conhecer mais os rios, ouviu falar de cachoeiras e vários tipos de solos onde vários tipos de plantas nascem, e tem um lugar muito distante onde acontecem coisas e as pessoas também se divertem, onde as pessoas acham que vão por idéias que mudam o mundo em prática, onde as putas ganham muito dinheiro e sempre tem pessoas bêbadas. O vento vem trazendo desejos de viajar pra longe, e beija-flores namoram no vento.

Lucas acha que se sair viajando vai conhecer mais, ouvir mais idéias e quem sabe no futuro ter a sua própria idéia nunca repetida, esse era o grande sonho de Lucas, ele sempre pedia isso para o vento, mas o vento dizia que para trazer algo tão valioso era necessário levar muita coisa, ou alguma coisa muito valiosa também, então Lucas aceitou, mas o vento disse que não era a hora.Lucas ficou muito nervoso e tentou entender que o vento sempre sabe a hora certa, mas continuou furioso e bebeu muita cachaça. Ele sempre bebia cachaça e fumava cigarros, ele sempre fumava muitos cigarros, e gostava muito, tanto que uns falavam que fazia mal e ele mandava se fuder, e outros fumavam com ele e todos se divertiam, Lucas se divertia ensinando pessoas a fumar, ele era uma pessoa feliz assim. A caixa de idéias muito repetidas sempre diz que fumar faz muito mal, mas a muito tempo atrás dizia que fumar era muito chic, Lucas só via a caixa de idéias muito repetidas a muito tempo, hoje ele fuma e o vento também fuma com ele e sempre leva muito fumo. Mas agora Lucas queria trepar com Maria e o desejo era muito forte, Lucas queria virar bicho em cima dela, queria trepar por muitas horas pois já fazia um tempo que não trepava e sua fúria era muita. Mas tinha também as idéias de ir pra longe, Maria não iria querer trepar se soubesse que Lucas ia com o vento, Lucas queria levar Maria com ele, mas ficou com medo de Maria acabar atrapalhando ele ter a idéias que nunca foi repetida, mas o desejo de trepar também era muito grande, ficou sabendo que no centro do pais bem longe do mar o vento era forte, então decidiu ir para lá. Colocou somente o muito necessário em uma mochila e sem falar nada foi.

II

Muita música louca e alta tocando, o sol fervia muito a cabeça de Lucas. Ele já estava andando a oito horas sem parar, começava a lembrar muitas idéias e ficava julgando elas e separando as que achava que iam faze-lo libertar-se de tudo. As vezes se perguntava como tantas idéias ficavam saltitando na cabeça dele ao mesmo tempo, sem resposta continuava a caminhar, a torrar a cabeça sob o sol e repetir idéias repetidas na cabeça. Lucas pouco-a-pouco começava a sofrer, começou a perceber que o vento estava lhe dando uma coisa nova, mas estava lhe levando Maria, e Lucas desejava muito trepar com Maria, ficou curioso, “mas por que o vento está me levando uma coisa tão boa que acabou de me trazer?”, e ficou horas e mais horas pensando nisso e em outras coisas e tantas outras que parou e quis comer alguma coisa, Lucas era magro mas sempre comia, adora peixe cru, mas só conseguiu pão com mortadela e ficou muito feliz. Ele saiu com pouco quase nenhum dinheiro, não quis roubar sua mãe dessa vez, muito menos pedir dinheiro emprestado, já devia meio mundo e dever as vezes é chato, mas ele não queria ficar roubando a mãe dele para pagar os outros, por isso ficava devendo, não dava para declarar falência. Lucas comeu seu pão com mortadela e seguiu o caminho, e no seu caminho voltou a pensar em Maria e em como queria ter o corpo dela ali, para poder tocar aquela pele quente, teve medo do vento levar alguém para Maria, e se perguntou o motivo para Maria não ter escondido ele do vento, Lucas não sabia que Maria quis muito fazer isso.

A noite começou a chegar e o frio aumentou conforme Lucas subia lentamente a primeira serra. O vento veio conversar com Lucas. “Lucas meu caro menino pensador que sempre encontro na beira do mar! O que pretende se afastando da tua terra que se confunde com você?” Lucas não queria conversa, mas sempre respeitou o vento. “Vento, vou para me transformar, vou ver como você venta longe do mar, ver como são as pessoas de terras secas, altas, baixas ... Vento, quero me transformar quero ser mãe e pai de uma idéia, uma que ainda não existe, e se existe ainda não foi acordada e principalmente, nunca foi repetida, Vento, vento.” “Lucas, deixe de bobeira, o que eu te levo na puta que pariu posso levar na beira do mar, e aprenda a viver sem a esperança de parir uma idéia, isso eu não vou te trazer nem aqui e nem em parte alguma.” Lucas sentiu algo diferente, como se todo o seu ódio tivesse sido despertado, tomou força, tomou coragem ficou com raiva e decidiu não aceitar mais nada desse vento. Lucas ficou pensando em como as coisas funcionariam agora que não aceitaria nada mais daquele que leva e traz coisas para todas as pessoas. Lucas pensou que esse seria o primeiro passo para ficar diferente da maioria que recebe as coisas do vento, Lucas havia de se tornar independente do vento, correria atrás das coisas que precisasse. Ele agora não ficaria somente esperando, não iria somente contemplar, deveria aprender a sobreviver sem os serviços do vento. Uma vez ouviu uma história de um homem que tentou viver dessa maneira, mas no final das contas não conseguiu, o homem tinha ido morar em uma floresta na montanha e acabou morrendo em uma caverna, diz a lenda que ele viveu 593 anos, amava blues e filosofia, mas nunca deu uma trepada, Lucas sempre ficou horrorizado com essa história, como uma pessoa vive 593 anos sem dar uma trepada? Nem os crentes conseguem um negócio desses, “Porra Mãe! Isso só pode ser mentira! Só se ele fosse crente! Mesmo assim nem crente agüenta um negócio desses! Que vida de merda esse cara levava! Melhor um tiro na cabeça! Caralho! Será que nem uma punhetinha ele tocava?” Parece que foi vingança do vento, apesar do homem não aceitar nada do vento, o vento dava um jeito de afastar todos de sua volta, e sempre que o homem estava perto do morrer o vento afastava a possibilidade de morte, por isso, somente na caverna o velho homem se foi. Lucas não gostou de lembrar dessa história, quase desistiu mas seu ódio era grande e ele precisava continuar, o que estava em jogo era parir a sua idéia.

Lucas parou no alto da serra e viu um castelo, e naquele castelo já morou uma princesa que gostava de trepar com negro, essa princesa disse que os negros não deviam ser escravizados então começamos a escravizar brancos também. Uma menina de cabelos claros começou a andar do lado de Lucas. “Ei menino que tem a cor de quem mora nas terras na beira do mar! Qual o seu nome?”, “Lucas, mas eu não quero conversar! Ainda estou com muito ódio de quem sempre confiei e foi por causa de uma conversa!” “Deixa de pensar assim Lucas! As vezes o silêncio é bom, mas as vezes bom mesmo é o barulho! Você pode acabar me odiando, mas a gente pode dar uma trepada por quinze valores. E você ia gostar muito, pois pelo jeito você gosta de idéias pouco repetidas e eu posso te contar um monte delas, meus pais sempre me contaram muitas, eles sempre me ensinaram a gostar delas também, mas acabei tendo uma idéia que ninguém nunca havia percebido, pari uma idéia e depois disso andei até a serra pra poder fazer o que quiser e eu quero trepar com você por quinze valores, e depois podemos gastar os nossos valores em qualquer lugar bebendo muita cachaça e fumando cigarros, pela a cor dos seus dentes da pra ver que você fuma cigarros.” Lucas agarrou a menina e trepou mordendo o pescoço dela, ela ficou com muitas marcas no corpo e disse que tinha gozado muitas vezes, Lucas saiu sem pagar, levou alguns valores e alguns cigarros, a menina ficou contente, Lucas se sentiu mal uma hora depois, ficou com vontade de voltar e bater na menina, mas não entendeu nada e seguiu, decidiu que ia tomar uma cachaça e fumar cigarros a noite toda.

Tudo começa em alguma coisa. Tudo começa na cabeça. Antes da cabeça o que vem? Onde as coisas se escondem antes de se tornarem coisas em nossas cabeças? As coisas com certeza vem de fora, passam pra cabeça e as vezes saem da cabeça novamente e se ficam na cabeça se transformam e saem de outra maneira. Várias vezes não conseguimos identificar a forma que tinham quando entraram na cabeça. Nossa cabeça tem o dom de transformar as coisas de forma quase divina. A vê e copia e modifica e cospe de volta e então transformamos o mundo em nosso mundo. Mentes transformadoras de realidade.
Quando se escreve é assim. Mas tem coisas na mente que nem mesmo o dono da mente sabe de onde elas surgem. O dono da mente vai acumulando coisas a serem modificadas e quando modifica uma determinada coisa pode nem mesmo se lembrar como ela entrou na mente.

É normal as pessoas que estão a volta da pessoa que está cuspindo o transformado pra fora da mente ficarem tentando adivinhar que forma a coisa transformada tinha antes de virar coisa da mente. As vezes elas erram. As vezes acertam. Mas o dono da mente que transforma não é obrigado a se lembrar de como as coisas que estão transformadas eram antes de se tornarem coisas da mente. Somos artistas por isso. Porque esquecemos que apenas transformamos e gostamos de pensar que criamos. É bom pensar em originalidade. É bom pensar em singularidade. Mas toda minoria se repete. Se toda minoria estivesse junta seria maioria. Mas a minoria não gosta. Minoria adora ser minoria! Olha o assunto mudando. Só queria falar que as coisas que saem aqui estão ai por toda parte. Por todo o todo. Mas eu roubei uma pequena parte que não pode ser identificada. Elas ficam todas misturadas e esqueço delas e elas se transformam e cuspo. E as pessoas lêem. Vêem. Ouvem. E todas analisam e algumas julgam e algumas gostam. Gosto quando elas gostam e só gosto quando julgam se julgam bem. Se não gosto delas não estou nem ai.

A busca é por transformar como ninguém ainda transformou e de preferência aquilo que nunca foi transformado. Tem pessoas que acham isso impossível. Tem pessoas que acreditam em Deus. Tem pessoas que não acreditam em nada.

Friday, December 01, 2006

experiências::::::::::::::::::::::::

Meninos e meninas saem a noite bebem cerveja até certa hora depois bebem mais cerveja pra ficar legal As famílias ficam em casa dormindo o sono dos justos ou com suas diversões de adultos Na noite os meninos olham as meninas as meninas se fazem de desentendidas e ficam ainda mais bonitas e os meninos e meninas continuam bebendo cerveja no bar de gosto duvidoso e preço escandaloso os meninos e meninas falam escandalosamente A cidade anoitece com seus guardas e alguns meninos e meninas resolvem se divertir em outra parte nessa cidade meninos e meninas tem carros e dependem deles[ponto]

Cigarros cervejas e a planta dos céus potencializada com a ciência dos homens meninos e meninas se libertam de leis convenções e saem de seus corpos com suas mentes jovens pensando em loucuras andando meio bambos flertando por nada conhecendo novos lugares vendo o céu vendo bandeiras vendo o governo vendo tochas vendo toda a arena podre da política nacional Meninos e meninas voam a noite como corujas morcegos com radares confusos guiados apenas por desejos e vontade Livres e loucos falando besteira jogando bola tentando beijos subindo descendo[ponto]

Até que o sol assusta todas as almas livres da noite pistas livres carros velozes corações mortos e mentes atentas a planta do céu perde seu efeito a noite começa a fugir as meninas já fugiram essa noite quase não senti saudade das coisas perto do mar essa noite quase me senti em casa Essa noite me senti em família no meio de pessoas estranhas Mas ainda sinto falta das coisas que te cheiro de mar cheiro de malandragem cheiro de samba[ponto]

Meninos e meninas começam a ir pra casa a eterna volta a gaiola retornam com o sonho de uma futura liberdade prometida saciados por aquele pequeno lapso de liberdade aquela falsa sensação de se jogar do alto e não parar de cair[ponto]

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Pela primeira vez quase não senti falta do cheiro das coisas do mar. Uma saída para a cerveja e minha noite se torna algo novo, aquele novo com gosto de antigo, foi como voltar cinco anos da minha vida e ter 18 anos. Exatamente. Me divertir com o que já me divertiu, ouvir sonhos que já tive, lembrar de planos que já fiz, e o principal, esvaziar a mente com ajuda das mesmas substâncias de uma época.

Bagulhos novos, carros e vento. Gosto de vento. Lugares abertos e bandeiras que representam algo. Céu azul escuro, o céu mais bonito, não, sim, trago, fujo, me perco. Pomba! Béqui! Mini-Disco. Coisas novas, água, filtro, gente nova, jardim, celular, rodoviária, Núcleo, Norte, Sul, Governo.

Quero de novo, quero outra vez, trago! As vezes quando escrevo me dá tesão, quase sempre brocho(broxo?)

O menino queria mesmo era ser livre, queria não depender, não dar satisfação, mas quando menino, liberdade era fumar um cigarro. Ele saía todo dia com alguns textos debaixo do braço, umas idéias na cabeça e muita vontade de meninas. A liberdade agora era cigarros, revolução e meninas. Ele não gostava do lugar onde ganhava idéias repetidas, mas todos iam lá, até as meninas, então ele ia também, ficava falando suas próprias idéias repetidas por poucos, fumando cigarros e pensando em meninas.

As meninas gostavam das idéias, poucos as repetiam, e tudo parecia novo, até o que já foi destruído. Aquilo que já havia sido destruído sempre traziam as meninas de cabelo de fogo, ele subia nas meninas e virava um animal. Um animal sem idéias, mas com muita vontade, essa vontade era linda e pura, era vontade de liberdade, vontade de voar e ele voava como nenhum pássaro voou.

Ele sempre tinha cigarros e sempre ia ganhar as idéias que todos repetiam, mas nunca foi muito bom nisso, ele gostava mesmo era das idéias que já estavam destruídas, sempre parecia mais corajoso quando falava palavras diferentes, desafiava os deuses e governantes.

O menino adorava festas na rua, onde aqueles que repetiam as idéias pouco repetidas se reuniam para gritar e suar como heróis. Eles gritavam palavrões e se sentiam livres, com toda aquela vontade e desejo de animais, eles lutavam com seus hormônios.

O menino tinha meninas, cigarros, idéias, festas, suor, e sentia-se livre demais, mas sempre voltava pra casa. O lugar onde o menino ia aprender idéias muito repetidas sempre deixava ele mais corajoso, pois ele se sentia diferente e sendo diferente ele era mais livre. Ele pensava que era diferente de tudo, ele fumava cigarros e ouvia rock, bossa nova, samba, tudo que gritava idéias diferentes das idéias muito repetidas, ele gostava de negras e meninas brancas, mas nenhuma negra gostava dele.

O menino era magro e cheio de idéias. Ele começava a ter idéias que davam medo as pessoas que repetiam as idéias muito repetidas. Um dia o menino tentou ter uma idéia só dele, mas ele não conseguiu, ficou fraco e chorou muito, subiu em uma menina e virou animal cheio de vontade pra ficar forte novamente, ele chorou em cima da menina e a vontade aumentou, o menino descobriu que podia chorar. Mas a idéia ele não conseguiu e agora ficou com muita raiva, queria uma festa com as pessoas de idéias pouco repetidas mas não achou.

Ele resolveu correr sob o sol ficou com a cabeça quente, caiu no mar com a cabeça quente e sua cabeça esfriou e ele pensava melhor com a cabeça quente. O menino não conseguia mais se sentir livre, ele precisava de idéias puras, idéias que ninguém nunca teve, ele olhou no calendário e viu que muitos anos já tinham se passado, foi na casa de idéias encadernadas e viu que muita coisa já estava lá, ele teve medo de ficar triste e fraco, preferiu ficar com raiva e colocou fogo na casa de idéias encadernadas.