Friday, December 01, 2006

O menino queria mesmo era ser livre, queria não depender, não dar satisfação, mas quando menino, liberdade era fumar um cigarro. Ele saía todo dia com alguns textos debaixo do braço, umas idéias na cabeça e muita vontade de meninas. A liberdade agora era cigarros, revolução e meninas. Ele não gostava do lugar onde ganhava idéias repetidas, mas todos iam lá, até as meninas, então ele ia também, ficava falando suas próprias idéias repetidas por poucos, fumando cigarros e pensando em meninas.

As meninas gostavam das idéias, poucos as repetiam, e tudo parecia novo, até o que já foi destruído. Aquilo que já havia sido destruído sempre traziam as meninas de cabelo de fogo, ele subia nas meninas e virava um animal. Um animal sem idéias, mas com muita vontade, essa vontade era linda e pura, era vontade de liberdade, vontade de voar e ele voava como nenhum pássaro voou.

Ele sempre tinha cigarros e sempre ia ganhar as idéias que todos repetiam, mas nunca foi muito bom nisso, ele gostava mesmo era das idéias que já estavam destruídas, sempre parecia mais corajoso quando falava palavras diferentes, desafiava os deuses e governantes.

O menino adorava festas na rua, onde aqueles que repetiam as idéias pouco repetidas se reuniam para gritar e suar como heróis. Eles gritavam palavrões e se sentiam livres, com toda aquela vontade e desejo de animais, eles lutavam com seus hormônios.

O menino tinha meninas, cigarros, idéias, festas, suor, e sentia-se livre demais, mas sempre voltava pra casa. O lugar onde o menino ia aprender idéias muito repetidas sempre deixava ele mais corajoso, pois ele se sentia diferente e sendo diferente ele era mais livre. Ele pensava que era diferente de tudo, ele fumava cigarros e ouvia rock, bossa nova, samba, tudo que gritava idéias diferentes das idéias muito repetidas, ele gostava de negras e meninas brancas, mas nenhuma negra gostava dele.

O menino era magro e cheio de idéias. Ele começava a ter idéias que davam medo as pessoas que repetiam as idéias muito repetidas. Um dia o menino tentou ter uma idéia só dele, mas ele não conseguiu, ficou fraco e chorou muito, subiu em uma menina e virou animal cheio de vontade pra ficar forte novamente, ele chorou em cima da menina e a vontade aumentou, o menino descobriu que podia chorar. Mas a idéia ele não conseguiu e agora ficou com muita raiva, queria uma festa com as pessoas de idéias pouco repetidas mas não achou.

Ele resolveu correr sob o sol ficou com a cabeça quente, caiu no mar com a cabeça quente e sua cabeça esfriou e ele pensava melhor com a cabeça quente. O menino não conseguia mais se sentir livre, ele precisava de idéias puras, idéias que ninguém nunca teve, ele olhou no calendário e viu que muitos anos já tinham se passado, foi na casa de idéias encadernadas e viu que muita coisa já estava lá, ele teve medo de ficar triste e fraco, preferiu ficar com raiva e colocou fogo na casa de idéias encadernadas.

2 comments:

reles soturno said...

caraaaaaaaaaaaaaalho! esse é foda! esse é foda!

eu odeio n ter idéias próprias! é Horrível!

puta que pariu! adorei!

Klaus Maia said...

Cadê o próximo capítulo sobre o menino?

Eu acho que você deve continuar... às vezes vira uma idéia encadernada que valha ser queimada... engolida, cagada... mas que vale!

O menino tá se valendo. E tá lindo. Lindo mesmo.