Sunday, March 25, 2007

Sintonizei o calor do meu sexo com a brasa do meu cigarro e a quentura do meu café. Preparei minhas verdades com precisão cirúrgica, iniciei a colheita dos frutos de minha angústia. Pensava em você quando amalgamei tua nudez com o livro de regras da minha fé. No meio de um cemitério de deuses criei da tua imagem, a sua imagem, meu deus.

Entreguei-me aos deleites de minha nova crença. Você, agora senhor, senhora, divino, divina, deus criatura, em carne e desejo. Troquei minhas velhas orações pelos gemidos ao pé do ouvido, meus sacrifícios pelo gozo sacro. Entregue ao mais pio dos rituais, o sexo, encontrei uma diferente expressão de religiosidade. Você, minha divindade, falou comigo através dos cheiros, glossolalias, gritos, arranhões, tesão.

Fui batizado com o líquido que brotava do meio de suas pernas. Experimento as bênçãos do teu sacramento penetrando teu corpo. Alegro o seu coração com violência, paixão, movimentos. Te cultuo em todas as posições. Teus milagres se tornam reais a cada gozo. Te ofereço meu sêmen, meu poder de fazer existir, mostrando todo o meu serviço ao nosso ato. Te vejo bebe-lo, suga-lo... Encontro o paraíso tua graça me promete.

Essas letras não devem ser guardadas no seu coração, muito menos em tua memória, mas no meio de suas pernas, junto ao que me dá prazer. Tua nudez sempre será o motor de minha devoção.