Monday, June 18, 2007

Com pensamento vadio, vagueio nas águas perdidas na vagueza, vacante da solidão. Perdido em estado imoto, enfastiado com o tal vai-e-vem da vida. Entregue a inércia do ato de outrem. Morro no efeito de causas que não me pertencem. Só esse ano renasci mais de mil vezes. Não cresço, não ressuscito, renasço bebê, puro e fraco. Enervado pelos meus devaneios sigo triste. Palhaço pintado com um riso bobo. Me galeio com cores fortes. A luz nos meus olhos reflete apenas o monocromático.
Me canso de eros, filos, enfadado do próximo procuro o ego. Me perco dentro de minha própria onipontência, ordeno-me Deus.

Peco à moda Satanás. Hoje jogado em meio a mortais, vivo realidade. Céu lindo céu! Ondeio meus olhos no ondear do enfumaçar de meu tabaco. Subo novamente para o céu, até que tomado pelo vento efêmero, com o ar, amálgama. Entro por suas narinas e te dou vida. No luso somente ar, no greco, pneuma, volto espírito, me uno a cristo, novamente um, novamente Deus, agora trino. Me canso do céu, encarno cristo. Encarno, reencarno, evoluo. Deixo onisciência, beijo-te ciência, homem pleno. Beijo a morte, engulo sangue.

Vadia, vadia, vadia pensamento! Clamo meu pai! Clamo minha mãe! Minha alma por um diamante. Coração por uma ostra, bate duro na dura ostra. Lembra pedra brilhante! Espinho nenhum dilacera. Pernoito, perneio no vago, viro rua na rua perpendicular de vidas.
Faz-me dicotômico em mais de um lugar. Penso. Dispenso. Repenso. Mudo. Um, dois, três. Deus. Mais um, sempre mais um. Sempre vadio, entre tuas pernas vadio no gozo, por mim delirar. Se sou princípio vou ser fim, continuar meio, sobre algodão, mola centeio. Ai, ai, ai, bemzinho. Corpos sem paz discrepantes do todo, em meio, entorno, entejo, gozo. Na morte, na vida e no riso. Choro a consciência do espectador, mero espectro. Existe para assistir e somente assiste, somente existe, fraco. Destino de quem quer ser Deus, o inferno, a terra. Desconexo desconecto. Des-existo no ar sempre a vaguear buscando vagueza no mundo, safado a presentear um corpo vacante, puro a me procurar. Sendo ou não sendo eu, ninguém mais seria.