Thursday, August 23, 2007

É quando me deparo com você que deslumbro todo o milagre da genética! Mas nem toda ciência seria capaz de criar algo comparado com o que vejo. Com certeza há um misto de ciência. Acaso divino. É o melhor do sacro, o necessário do profano. Com o molde de todas as artes. Aquilo que desperta a sobra de romantismo que marginalizo em minha literatura. E então penso em como pode tanta formosura. Tanto remelexo. Tanto calor. Resta-me buscar em Deus, deuses, orixás, tudo aquilo que nem mesmo a poderosa genética pode me explicar.

Passeante por teu corpo encontro rastros da graça de todos os divinos. O branco da tua pele, no tom da alva espuma dos mares de Yemanjá. Mãe de águas salgadas. Mãe de Ogum teu protetor, pai de toda a sua garra, determinação. Ao contemplar seus olhos vejo o verde das matas de Oxossi. Rei de Ketu. Orixá da Fatura. Expressão da vida. Vida que transborda em busca da rebeldia perdida nesses verdes. Nas tuas curvas torneadas à mão por Oxun, tendo como inspiração as curvas dos seus mais belos rios, a rainha das águas doces. Aquela que mata a sede e lava a alma como somente teu beijo, toque, são capazes de fazer. Ah, doce anjo vindo das mão de Deus! Se no juízo final somente tua alma fosse levada aos céus entenderia o sacrifício de Cristo. Pois somente a morte de um Deus para manter puro algo que só me faz pecar pensamentos, ações, sonhos, devaneios, elucubrações. É ainda em Oxum, com a vaidade capaz de encantar Ogum. Xangô. Oxossi. Que vejo toda a perfeição de seus adornos. Contornos. Afetos. Minha Iyálòóde . Kawó kabiyèsílé . Será de Xangô toda essa emanação de majestade? Toda essa sedução. Como o raio de Xangô clareia, minha cama jamais ficará em trevas enquanto te abrigar. Apenas a escuridão de teus cabelos brindarão meu leito com todo o composto divino que se faz em ti. E como era escura a noite em que Oxalá, meu Pai! Em cima de uma pedra. Segurando seu cajado a espera dele florir. Para com Yemanjá, tua mãe! Se tornar Pai dos outros orixás. Assim é escura a noite em que encontro, esperando que note as flores em meu cajado.

Veio vindo no meio de um beijo do astro Rei com Escorpião. Com o pranto de Ísis transformado em Nilo, fazendo um com os mares de tua Mãe. Sob o mesmo Sol em Escorpião.
Uma falange de anjos seriam necessárias para anunciar tua chegada à terra. Duas falanges de demônios guerrearam para em ti, temperar tamanha pureza com sedução. Ave menina entre as mulheres! Ave mulher entre as meninas! Para ti a única pedra é rubi. O único metal é ouro. A única terra é celeste. O único cheiro é teu! Ah, esses olhos de muiraquitã. Ah, essa pele branca de filhos da mandioca. Ah, esse caminhar nas nuvens da casa de Tupã. Já te saudei com meu vulgar, hoje faço com que não sei.

Olha pra mim! Olha as flores no meu cajado!

1 comment:

Ulisses said...

Agô meu Orixá! Vc ta parecendo ovelha do Reverendo Walter....