Wednesday, December 24, 2008

No primeiro dia disse que me amava e vivemos até a separação. Daí disse me amava mais do que tudo. Me deixou e continuou me amando. Como se deixa o aquilo que ama. Me deixou. Veio o vento. Veio a chuva. A chuva me deu força e ainda fraco de ti. Me perdi em labirintos de mim. Não sei mais que sou. Perdi. Veio a chuva. Levou embora. Tocou-me de amor. Marcou a lenha. Hoje quero todos os sofrimentos que não tive ao seu lado. Dores que foram prometidas no primeiro dia. Quando me amou. Te procuro em deusas. Ventos. Temporais. Agora passa e desculpas são para fracos. Não quero evolução. Imagino explicações. A vida é menos do que isso. E continuo seguindo dia-a-dia. O verdadeiro imperfeito se aproxima sempre mais. Quando menos cuspo, mais difícil fica, mais confuso fica, quase nada fica.
Quero fazer como você que me deixou. Saber o que se passa no coração de quem ama mais não para. Amar é nunca mais sair do lugar. É somente seguir como um doente que não vive sem a droga. Perseguir aquilo que hora é peso, hora cocaína. A madrugada me castiga com a saudade. Mas saudade do que deveria ter sido. Pois somente disso sentimos saudade. Pois é somente mais um natal, e por mais que não sinta o natal, sinto a solidão de não senti-lo.
Que seja o nascimento do Cristo comemorado com seu sangue! Pois este tem poder e embriaga.

ps.: Que Deus me perdoe se cometi alguma blasfêmia, pois se a fiz, foi meramente literária.

2 comments:

filipe said...

Nó: na cabeça, na garganta e no peito...

Thales Rafael said...

"Amar é nunca mais sair do lugar."

Eu chutaria que você ama esse texto.