Saturday, December 27, 2008

Tela. Cursor. Teclado. Editor de texto. Não uso papel, caneta ou lápis. Pena. Eu não uso. Não tenho musa. Não tenho idéias. Tenho somente vontade. Vontade de poder? Vontade de ser lido? Vontade de ser re-conhecido? Vontade de passar do real para o su-real das palavras. Ser texto. Ser palavra. Ser verbo. Adjetivo. Subjetivo. Mal-agradecido aos gestos. Sentidos. Se quiser posso inserir cores com poucos comandos. Quero o preto no branco. Godard. Lento. As coisas não mais acontecem para virar textos. Os textos devem ser somente textos. Aos fatos a realidade. Hoje o caos é tradição que perde seu divino poder criador. Tradição que nem mais é re-conhecida. Deus onde estão nossos autores? Onde estão nossas idéias? O Deus não mais está morto. Foi ressuscitado com seu poder de justificação. Agora sem critério. Usado por todos. Tradicionalmente. Agora seu reino é caos. O Deus do Caos. O português muda quando nem mais é usado. Falamos e escrevemos a língua das repetições. Repetimos. Repetimos. As palavras não pertencem mais a língua. Pertence ao povo. O povo não quer a língua e não escreve porque ensinaram que somente os donos da língua escrevem. O povo deve ter vontade. Vontade de escrever. Deve usar o que tem. Cavernas. Areia. Papel. Computador. Onde está aquilo que ainda não foi escrito? Comprei Machado para minha mulher. Minha mulher tem toda a língua em quatro volumes. Onde está o texto que o texto escreve. Palavras. O surto social. Deus ressuscitou porque ninguém escreve. Somente fatos. Caos. É necessário olhar de fora. Todos os seres devem se trancar para ver. Não o que pode ser visto e enganado. Ver o que não está escrito. Matar o justificador. Seja ele deus. Seja ele lexotan. Se meu pai tivesse usado camisinha o mundo não sentiria minha falta. E isso serve pro Obama também. Porque nada significa. Somos somente cópia. Tolo aquele que acha que é porque a mamãe o ama. Pois ela te ama porque não sabe de nada. “Dizem que o seu coração. Voa mais que avião. Dizem que o seu amor. Só tem gosto de fel. Vai trair o marido em plena lua de mel”

3 comments:

filipe said...

Salve salve Reginaldo Rossi!

Thales Rafael said...

Poético. Continua poético. Depois da quarta linha a poesia está desgastada. Não se chega a lugar nenhum. Fazer frases curtas soa legal. De impacto? Melhor. Depois da sétima já não soa tão legal assim.

Seus textos tem ótimas idéias. Só que sujeitos sempre vão além do texto. E para isso eu acho que não há reforma ortográfica que adiante.

eleal said...

Não sei bem o porquê, mas concordo com o Filipe...