Thursday, January 20, 2011

O vento soprou e te trouxe de volta pra mim. Borboletas voando no entorno. Paira, desloca, arruma. O vento que te trouxe de volta se foi deixando seu perfume. Seu corpo. Sua mente. Tento te absorver. Te devorar. Te anular. Simplesmente para seguir. Você surpreende. Paira, desloca, voa. Lá no meio do meu quintal cresce aquela árvore. Aquela árvore que sempre esteve ali. Tem uma grande sombra onde posso deitar e descansar. Mas é aos pássaros que ela serve. Eu não sou dono da árvore. Ela nasceu comigo. Lembro do dia que plantei. Plantei a árvore que sempre esteve ali. Os pássaros vêm todos os dias. Dormem em seus galhos. Fazem ninhos. Chocam ovos. Minha avó passeava pelo meu quintal. Disse que seria bom se ali tivesse uma árvore. Ela não viu a árvore que eu plantei. Ela imaginou a árvore. Agora você borboleta pelos galhos. Não se da conta da árvore. Não percebe os pássaros. Existe somente você que nunca foi lagarta. Que nasceu do vento. Agora a árvore cresce sem perceber que eu estou ali a contemplar. Cresce sem pretensão de um dia se deixar cortar.

No comments: