Wednesday, February 22, 2012

vinte nove anos

Provavelmente existia sim alguma coisa em mim no momento em que nasci. Não conhecimento, não informação, mas desejo. Os anos se passam, a página em branco vai sendo escrita. São vinte e nove anos, de repente vinte e nove linhas. Mas tudo é escrito em mim. O papel ganha tinta, ganha cor, carrega marcas. O conhecimento surge a partir das experiências, aparece quando já estava. Tanto faz.

Posso conhecer.Isso não me faz acordar, não me manda pra frente. Isso quem faz é o meu desejo.

Sem passado. Quando acordo, sou outro. Um novo e pronto, que morre quando dorme. Página branca todos os dias. De marcas tenho a memória de um que experimentou menos, logo um que não sou mais eu. Eu ontem. Aquele nem o seu desejo me importa.

Sou desejo hoje, e se não realizar hoje, ficará para o outro.

Todas as minhas possibilidades estão no que desejo. Este é meu espírito santo. É sopro. É o que me enche de vida.