Monday, October 29, 2012

Quanto tempo? Um ano, dois, três, seis meses? Ele nunca foi bom em perceber o tempo. Quando questionado demorava a lembrar de poucos fatos relacionados ao calendário, então somava, diminuía... Com sorte obtinha alguma resposta. Acendeu o cigarro enquanto tentava esquecer quanto tempo passou desde a última vez que a viu. Seis meses e vinte e dois dias... Não convém dizer as horas, mas ele as sabe. Apaga o cigarro no prato que antes lhe serviu um decadente café da manhã. Caminha até o banheiro. Liga o chuveiro. Água quente. Entra na ducha. Sente a água cair barulhenta. Em tempos de mau agouro vê a água se recolher no ralo. Vermelha. Vermelha cor de sangue. Tem ainda sobre a mesa o livro com dedicatória comovente e intima escrito por ela. Lê como faz toda manhã. Pronto. Está pronto para começar mais um dia repleto da alma dela. Alma que ele mesmo criou e pouco tem a ver com aquela pessoinha cheia de problemas bestas fúteis de criação burguesa que em seu egoísmo se acha a mais generosa das almas.

No comments: